terça-feira, 9 de setembro de 2008

A Conferência de Lambeth

A CONFERÊNCIA DE LAMBETH

A cada dez anos os bispos da Comunhão Anglicana da conferência de Lambeth, um evento impar na experiência anglicana. Há um crescente aumento de participantes desde a primeira conferência realizada em 1867, quando participaram 76 bispos. A última ocorreu em 1998, contando com a presença de aproximadamente 700 bispos (número 40 % superior a de 1988, quando participaram 500 bispos, além de 28 observadores de outras igrejas e 37 assessores e palestrantes). Hoje, a maioria dos bispos na comunhão anglicana não são ingleses, e tão pouco têm o Inglês como sua primeira língua. Essas igrejas têm crescido cada uma è sua maneira. Entretanto, as raízes se encontram na Inglaterra do século XVI e na Igreja Primitiva. Sua adoração está baseada no Livro de Oração Comum. Sua música começou com os tradicionais hinos e cânticos cristãos. Sua piedade reflete estes séculos de devoções. A comunhão Anglicana se auto-define com igrejas em comunhão com a Sé de Cantuária, partilhando a tradição e o Livro de Oração Comum com os bispos, presbíteros e diáconos e com o ministério dos leigos. (Do Folheto Lambeth 1998, com breves adaptações).

A Comunhão Anglicana

A COMUNHÃO ANGLICANA


Há aproximadamente 70 milhões de membros na Comunhão Anglicana, espalhados nas 38 províncias autônomas e 450 dioceses em 165 diferentes países.
As igrejas anglicanas defendem e proclamam a fé católica e apostólica nas Escrituras, interpretada à luz da tradição, do estudo e da razão. Em obediência aos ensinos de Jesus, as igrejas são comissionadas para proclamar as boas novas do Evangelho para toda a Criação. A Fé, a Ordem e Prática estão expressos no Livro de Oração Comum, nos Ordinais dos séculos XVI e XVII e, mais resumidamente, no Quadrilátero de Lamber, aprovado pela Conferência de Lambeth de 1888. Este documento definiu como elementos essenciais de Fé e ordem para a busca da unidade cristã:

1. As Santas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos como a Palavra revelada de Deus;
2. O Credo Niceno como a declaração suficiente da fé cristã;
3. Os Sacramentos do Batismo e da eucaristia celebrados com as palavras e os elementos usados por Jesus Cristo na última ceia;
4. O Episcopado Histórico, como símbolo da unidade cristã.

O ponto da adoração central da adoração para os anglicanos é a celebração da Santa Eucaristia, que é chamada também de Santa Comunhão, Santa Ceia, Ceia do Senhor ou Santa Missa. O Livro de Oração Comum expressa a inclusividade que caracteriza as igrejas anglicanas.


Extraído da Agenda Anglicana de 1998.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Piedade Anglicana

A PIEDADE ANGLICANA


“Portanto, santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus, Guardai os meus mandamentos, e cumpri-os: Eu sou o Senhor que vos santifico”— Levítico 20:7-8

A piedade Anglicana é uma das marcas que herdamos da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. È um carisma derivado da Encarnação de Deus em nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, sendo Católica, a piedade Anglicana é uma espiritualidade encarnada. Vivemos como povo do Sacramento dos santos mistérios do Corpo e Sangue do Senhor. Igreja eucarística, ela nutre e desenvolve em seus filhos um viver atento – de escuta, obediência e resposta. Reconstituímos em nós o ideal anglicano do “viver e morrer santamente”, em meio ao que há de mais crucial neste mundo humano, individualista, injusto e violento
A Igreja não resulta de “atividades”. Sua motivação primeira não é a de ser “humanitária”. Ela é a anunciadora e a guardadora da relação de Deus. Mãe e Mestra, vive e trabalha com os santos mistérios de Deus. Não somos “imago Dei” porque temos carne e sangue”! Antes, recebemos em nós a “faísca” divina, o poder do uso da razão, a capacidade de escolha e o dom do amor. Todos, de uma ou de outra forma, refletimos algo de Deus. Por Ele fomos criados para uma vida de comunhão, com Ele mesmo e uns com os outros.
Pelos olhos da fé, olhamos para o Senhor e antevemos o que o ser humano pode ser – o que Deus espera de nós. Ao mesmo tempo, contemplando o Cristo, discernirmos os traços do rosto do Pai. É aí que a Fé Cristã fica sozinha. Central é para nós, a certeza de que Deus se fez homem. Em Cristo vemos o que Deus oferece à humanidade – e o que a humanidade pode esperar de Deus.
Sem uma firme convicção na santa Encarnação de deus, e na conseqüente vida sacramental da Igreja, não pode haver verdadeira paz, justiça, saúde, integridade da Criação, esperança e boa vontade entre os seres humanos. Não temos, como cristãos, andando o caminho todo. Não temos pronunciado “Creio” com total convicção. O ato da fé é dom de Deus, pelo qual precisamos rezar e pedir. O “ethos” litúrgicos anglicanos, nutrido e disciplinado pelo Livro de Oração Comum, é nossa fonte mais eficaz para uma fé adulta, santa e contemporânea
“Nada há que santifique tanto o coração humano, que nos guarde em amor, oração e alegria habituais em Deus; nada que seja capaz de aniquilar as raízes do mal em nossa natureza, que renove e aperfeiçoe tanto as nossas virtudes, que nos encha de tanto amor bondade e caridade para com todas as criaturas – como esta fé de que Deus está sempre presente em nós, com Sua luz e seu Santo Espirito”.

William Law, teólogo ascético anglicano (1686-1761)